Pela primeira vez, o gênero tomou conta do maior festival de música do Brasil com NEXZ, HWASA e Stray Kids; entre lightsticks, SKZOO, freebies, famílias e milhares de fãs, a Cidade do Rock ganhou uma atmosfera que só o K-pop consegue criar
O Rock in Rio já recebeu alguns dos maiores nomes da música mundial. Já testemunhou encontros improváveis, multidões históricas e momentos que entraram para a memória do festival. Mas, nesta sexta-feira (11), a Cidade do Rock viveu algo que ainda não havia acontecido em seus mais de 40 anos de história: o K-pop finalmente ganhou um dia para chamar de seu.
E, para quem acompanha o gênero, era impossível tratar a data como apenas mais um dia de festival.
Desde as primeiras horas, a Cidade do Rock começou a ganhar uma nova identidade. Os tradicionais looks de festival dividiram espaço com álbuns, photocards, SKZOO, lightsticks e pequenos presentes preparados pelos próprios fãs. Pessoas que muitas vezes se conheceram pela internet se encontraram pessoalmente, trocaram freebies, conversaram sobre seus grupos favoritos e compartilharam a ansiedade por uma noite que muitos esperavam há anos.
O resultado foi um verdadeiro encontro de gerações e comunidades.
O K-pop não chegou ao Rock in Rio sozinho. Chegou acompanhado de uma fandom acostumada a transformar shows em experiências coletivas, em que cantar, dançar, torcer, criar amizades e celebrar seus artistas fazem parte do espetáculo tanto quanto o palco.
E a primeira apresentação do dia ficou nas mãos do NEXZ.
NEXZ abre um capítulo novo para o K-pop no festival
Representando uma geração mais recente do K-pop, o NEXZ abriu a programação do Palco Mundo com a energia de quem sabia estar vivendo um momento especial.
Com coreografias precisas, presença de palco e uma interação cada vez mais próxima com o público brasileiro, o grupo mostrou que a nova geração do K-pop também tem espaço para conquistar grandes festivais.
O português arriscado pelos integrantes arrancou gritos e sorrisos da plateia, que respondeu com entusiasmo a cada tentativa de aproximação. Entre as músicas apresentadas esteve “Beat-Boxer”, além de “SAUCIN’”, faixa mais recente do grupo.
Mais do que uma abertura, o NEXZ teve a responsabilidade de ser um dos primeiros nomes a escrever a história do K-pop dentro do Rock in Rio.
E não poderia ter começado de maneira mais animada.
HWASA chega com atitude, presença e muita personalidade
Se o NEXZ apresentou uma nova geração do gênero, HWASA mostrou por que seu nome já é parte importante da história do K-pop.
Conhecida mundialmente por seu trabalho com o MAMAMOO e também por sua carreira solo, a artista levou ao Palco Mundo uma apresentação que passeou por diferentes lados de sua identidade: potência vocal, sensualidade, atitude e uma presença de palco impossível de ignorar.
“Maria” e “Chili” estiveram entre os momentos que fizeram os fãs cantarem junto, mas foi a proximidade com o público que tornou a apresentação ainda mais especial.
HWASA deixou o palco e se aproximou da grade, diminuindo por alguns instantes a distância entre uma das grandes estrelas do K-pop e aqueles que estavam ali para vê-la.
Era um daqueles momentos em que a dimensão do festival parecia desaparecer.
Um oceano de lightsticks toma conta da Cidade do Rock
Enquanto os shows aconteciam, outro espetáculo se formava fora do palco.
Milhares de lightsticks iluminaram a Cidade do Rock e criaram o que foi apresentado como o maior lightstick ocean da América Latina.
Para quem olha de fora, pode parecer apenas uma multidão segurando luzes. Para quem vive o K-pop, é muito mais do que isso.
Cada lightstick representa uma história, um grupo, uma memória e uma comunidade. É uma das formas mais bonitas que os fãs encontraram de transformar a plateia em parte do próprio espetáculo.
E naquela noite, a Cidade do Rock inteira parecia entender isso.
Pais acompanhando os filhos, amigos viajando juntos, fãs que foram sozinhos e acabaram encontrando companhia no meio da multidão. Crianças usando SKZOO, adultos carregando álbuns e jovens dividindo freebies com desconhecidos.
O K-pop trouxe para o Rock in Rio uma experiência de pertencimento.
Alok mantém a energia nas alturas
Entre os grandes nomes do dia, Alok assumiu o Palco Mundo antes do headliner e entregou um espetáculo gigantesco.
O DJ utilizou projeções em 3D, lasers, pirotecnia e um show de drones que tomou o céu da Cidade do Rock. As imagens formadas no alto incluíram um rosto, uma nave espacial e até um buraco negro.
A apresentação ainda contou com 45 bailarinos formando um painel humano e com a participação de Zeeba em músicas como “Hear Me Now” e “Never Let Me Go”.
Mas, naquele dia, havia uma expectativa que atravessava todas as apresentações.
Porque ainda faltava um nome.
Stray Kids transforma a Cidade do Rock em “Stay City”
Quando o Stray Kids finalmente apareceu no Palco Mundo, a sensação era de que a espera de milhares de fãs havia chegado ao fim.
O grupo sul-coreano encerrou a noite com um show de mais de duas horas, transformando o espaço em uma verdadeira “Stay City”.
E se havia alguma dúvida sobre a força do K-pop em um dos maiores festivais do mundo, ela desapareceu rapidamente.
A resposta vinha da plateia a cada música, cada coreografia e cada interação. Os fãs acompanhavam os comandos do grupo, cantavam cada verso e transformavam os 2.400 m² de LED do Palco Mundo em parte de uma experiência audiovisual gigantesca.
“Chk Chk Boom” e “LALALALA” estiveram entre os grandes momentos do repertório, mas o grupo também surpreendeu ao incluir “Ai Se Eu Te Pego”, sucesso eternizado por Michel Teló e que ganhou uma nova vida nas vozes dos integrantes.
Mais do que um show, o Stray Kids entregou uma celebração da relação construída entre o grupo e seus fãs brasileiros.
E talvez seja justamente aí que esteja a maior força daquela noite.
Quando o K-pop encontra o Rock in Rio
A estreia do K-pop no Rock in Rio não foi apenas sobre colocar artistas sul-coreanos no Palco Mundo.
Foi sobre abrir espaço para uma comunidade inteira.
Foi sobre fãs que cresceram acompanhando seus artistas pela internet finalmente ocuparem um dos maiores festivais do país. Sobre famílias que descobriram uma nova forma de compartilhar música. Sobre amizades que começaram em comunidades online e ganharam abraços na Cidade do Rock.
E foi também sobre mostrar que o K-pop já não precisa ser apresentado como uma novidade distante.
Ele já faz parte da música que o Brasil escuta, celebra e vive.
No dia 11 de setembro, milhares de pessoas fizeram da Cidade do Rock um enorme ponto de encontro para essa cultura. Lightsticks iluminaram o público, SKZOO apareceram por todos os lados, freebies circularam entre desconhecidos e músicas cantadas em coreano ecoaram pelo mesmo palco que já recebeu tantas gerações de artistas.
No fim, talvez a melhor maneira de resumir a estreia seja simples:
o K-pop chegou ao Rock in Rio — e o Rock in Rio virou casa para ele.

