Rock in Rio 2026: um dia para lembrar, cantar, gritar e viver o rock até o último acorde

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Créditos: @ALEXWOLOCH

Entre estreias aguardadas, despedidas históricas, entrevistas, mosh pits e shows que fizeram a Cidade do Rock tremer, o segundo dia do festival entregou uma das noites mais intensas desta edição.

 

Existem dias de festival que terminam quando o último artista deixa o palco.

E existem dias que continuam mesmo depois que as luzes se apagam.

O sábado, 5 de setembro, foi um desses.

No segundo dia do Rock in Rio 2026, a Cidade do Rock voltou a ser território do rock em todas as suas possibilidades: do metal histórico ao metalcore, do hardcore ao pop, do rock alternativo às experimentações eletrônicas. Foram guitarras, baterias, vocais rasgados, pirotecnia, chuva, rodas, mosh pits, milhares de pessoas cantando juntas e uma quantidade quase absurda de momentos acontecendo ao mesmo tempo.

Era impossível estar em todos os lugares.

Mas era impossível não querer tentar.

Para nós, do Concerts In Brazil, esse dia teve ainda um significado especial. Entre corridas de um palco para outro, registros, entrevistas e shows, nossa equipe teve a oportunidade de conversar de perto com Day Limns, Malvada e Black Pantera, três encontros que fizeram parte de uma cobertura que vai muito além de simplesmente assistir a um festival.

E ainda tivemos a chance de viver alguns dos shows que estavam entre os mais aguardados por nossa equipe: Bring Me The Horizon, Bad Omens, mgk e Avenged Sevenfold, além de todas as outras apresentações que ajudaram a transformar aquele sábado em uma verdadeira celebração do rock.

No fim, sobrou aquela sensação difícil de explicar para quem não estava ali.

A voz quase acabando.

O corpo cansado.

A memória cheia.

E a certeza de que aquele foi um daqueles dias que a gente vai lembrar por muito tempo.

Um sábado em que a Cidade do Rock pertenceu ao rock

O Palco Mundo começou sua programação com um momento que já carregava um significado enorme.

O Sepultura realizou seu penúltimo show da carreira e sua última apresentação no Rock in Rio. Para uma banda que ajudou a colocar o metal brasileiro no mapa mundial, aquela não poderia ser uma passagem qualquer pelo festival.

A apresentação revisitou músicas da fase comandada por Derrick Green e transformou o gramado em um verdadeiro território de mosh pits. Entre riffs, baterias e uma plateia completamente entregue, o grupo mostrou por que sua trajetória ocupa um espaço tão importante na história do metal.

Foi uma despedida — ainda que não definitiva — de um palco que acompanhou diferentes capítulos da história do rock.

E o sábado estava apenas começando.

Na sequência, mgk assumiu o Palco Mundo e fez da Cidade do Rock um verdadeiro caos organizado.

Com guitarras pesadas, dança, efeitos visuais, pirotecnia e muita interação com o público, o artista passeou por diferentes fases de sua carreira. “Fix ur face”, “Don’t Wait Run Fast” e “Till I Die” estiveram entre os momentos que fizeram a plateia cantar e pular.

Mas talvez um dos grandes diferenciais daquela apresentação tenha sido a proximidade.

Falando em português, brincando com o público e se aproximando dos fãs, mgk parecia determinado a fazer daquela passagem pelo Brasil algo mais pessoal.

E conseguiu.

Finalmente: Bring Me The Horizon no Rock in Rio

Se havia uma apresentação que carregava anos de expectativa, era essa.

O Bring Me The Horizon finalmente estreou no Rock in Rio.

A banda britânica era uma das atrações mais aguardadas do segundo dia — e bastava caminhar pela Cidade do Rock para perceber isso. Camisetas, tatuagens, cabelos coloridos, fãs reunidos em grupos e pessoas que claramente haviam comprado aquele ingresso pensando principalmente em uma coisa: ver Oli Sykes e companhia ocuparem o Palco Mundo pela primeira vez.

Quando as luzes se apagaram, toda aquela expectativa encontrou um palco à altura.

Oli Sykes entrou em cena e rapidamente assumiu o controle de uma multidão que parecia saber cada movimento antes mesmo que ele acontecesse.

Era uma comunicação quase instantânea.

Um comando.

Um grito.

Uma música.

E milhares de vozes respondendo.

O espetáculo visual também foi parte fundamental daquela experiência. Os enormes painéis de LED do novo Palco Mundo ganharam referências ao universo dos games e diferentes elementos que acompanhavam a identidade da banda, transformando a cenografia em uma extensão do próprio show.

“Can You Feel My Heart” e “Teardrops” estiveram entre os momentos em que essa conexão entre público e banda ficou ainda mais evidente.

Mas o mais bonito daquela apresentação talvez tenha sido algo que não aparece em nenhum telão.

A sensação de pertencimento.

O Bring Me The Horizon não estava simplesmente fazendo mais um show.

Estava finalmente ocupando um palco que seus fãs brasileiros esperaram durante anos para vê-los conquistar.

E a espera foi recompensada.

Para quem acompanhou o show de perto, ficou difícil não sair dali com a sensação de que aquele era um daqueles momentos que justificam a existência de um festival.

No Sunset, mulheres, resistência e diferentes formas de fazer rock

Enquanto o Palco Mundo recebia algumas das maiores atrações da noite, o Sunset construiu sua própria história.

A programação começou com Malvada, que convidou Day Limns para dividir o palco em uma apresentação que transitou pelo hardcore, pop e rock.

Entre os momentos mais especiais esteve a homenagem a Rita Lee, com “Ovelha Negra”, acompanhada por imagens da cantora nos telões.

Mais do que uma participação especial, foi um daqueles momentos em que diferentes gerações do rock brasileiro parecem se encontrar no mesmo palco.

E, para nós, aquele momento ganhou ainda mais significado porque nossa equipe teve a oportunidade de conversar com Day Limns e Malvada depois da apresentação.

Day falou com nossa equipe sobre a experiência de dividir o palco com a Malvada, sua primeira mixtape e também sobre os caminhos, desafios e sonhos de quem escolhe a arte como profissão.

Já a Malvada conversou conosco sobre a importância de ocupar aquele espaço e sobre o que significa ser uma banda formada por mulheres dentro da cena do rock.

São conversas que representam justamente uma das coisas que mais gostamos de fazer no Concerts In Brazil: não apenas registrar o espetáculo, mas também conhecer as histórias por trás dele.

E ainda havia muito por vir.

Black Pantera e Nervosa: quando o palco vira espaço de resistência

Na sequência, Black Pantera e Nervosa transformaram o Sunset em uma explosão de energia.

As duas bandas completas dividiram o palco, com direito a duas baterias, criando uma apresentação pesada, intensa e impossível de ignorar.

O Black Pantera abriu o show com “Hórus” e “Continental”, enquanto Prika Amaral se juntou ao palco com “Serotonina”.

Mas aquela apresentação não era apenas sobre peso.

As letras, a presença das bandas e a maneira como os artistas ocupavam aquele espaço também carregavam mensagens de resistência e questões sociais.

Um dos momentos mais marcantes aconteceu quando a vocalista da Nervosa incentivou uma roda formada somente por mulheres — e as fãs responderam imediatamente.

Foi lindo de ver.

E ainda mais especial para nossa equipe, que teve a oportunidade de conversar com o Black Pantera durante a cobertura do festival.

Nossa entrevista com a banda trouxe justamente essa possibilidade de olhar para além do palco e entender um pouco mais sobre os artistas que estão ajudando a movimentar e transformar a cena brasileira.

Porque rock também é isso.

É barulho.

É atitude.

É posicionamento.

É encontrar pessoas diferentes em um mesmo espaço e perceber que, apesar de todas as diferenças, existe algo que une todo mundo quando a guitarra começa a tocar.

Poppy, um universo próprio no meio da Cidade do Rock

Depois de tanta intensidade, Poppy chegou ao Sunset trazendo uma mudança completa de atmosfera.

A artista transformou o palco em uma extensão de seu universo particular, transitando entre pop experimental, metal industrial, rock alternativo e hyperpop.

“I Disagree”, música que lhe rendeu uma indicação ao Grammy, esteve entre os destaques da apresentação.

E talvez seja justamente essa capacidade de não caber em uma única definição que torne Poppy uma presença tão interessante em um festival como o Rock in Rio.

Ela não precisou escolher entre um gênero e outro.

Misturou tudo.

E fez funcionar.

Bad Omens e a intensidade que chega sem pedir licença

Já no fim da programação do Sunset, o clima mudou novamente.

Era hora de Bad Omens.

Liderada por Noah Sebastian, a banda entregou um dos shows que mais queríamos acompanhar de perto nesta edição.

E não decepcionou.

O grupo construiu uma apresentação que equilibrava peso e emoção, transitando entre metalcore, rock alternativo, dark-pop e música eletrônica.

A produção sofisticada ajudou a criar uma atmosfera quase hipnótica, enquanto a banda alternava momentos de explosão com passagens mais emocionais.

Era pesado.

Mas também era delicado.

Sombrio.

Mas extremamente envolvente.

E talvez seja justamente essa dualidade que faça o Bad Omens funcionar tão bem diante de um público tão diverso.

Para nossa equipe, foi um daqueles shows em que a câmera quase parece pesar mais porque dá vontade de simplesmente parar e assistir.

Mas não dava.

Ainda tinha um último show no Mundo.

Avenged Sevenfold: o último acorde de uma noite inesquecível

Depois de horas de música, correria e shows que pareciam não dar espaço para respirar, ainda havia uma última missão.

Encerrar a noite.

E o responsável por isso foi o Avenged Sevenfold.

A banda chegou ao Palco Mundo levando o heavy metal ao limite e aproveitando cada centímetro da gigantesca estrutura do novo palco.

Os painéis de LED ganharam projeções enormes e efeitos em 3D que ampliaram ainda mais a experiência visual.

Mas, no fim das contas, toda aquela grandiosidade precisava de uma coisa para funcionar.

Música.

E nisso o Avenged Sevenfold não decepcionou.

Riffs pesados, bateria, vocais e clássicos que já fazem parte da trajetória da banda transformaram o encerramento em um dos momentos mais intensos do sábado.

O público respondeu com a mesma força.

Gritou.

Pulou.

Cantou.

E, depois de um dia inteiro de rock, ainda encontrou energia para entregar tudo até o último acorde.

Um dia que vai ficar com a gente

Talvez seja difícil explicar o Rock in Rio para quem nunca viveu um dia inteiro dentro da Cidade do Rock.

Porque não é apenas sobre os shows.

É sobre correr para conseguir chegar ao próximo palco.

É descobrir um artista que você não conhecia.

É encontrar alguém no meio da multidão.

É fotografar enquanto tenta prestar atenção no que está acontecendo.

É entrevistar um artista que, até pouco tempo antes, você só conhecia através das músicas.

É olhar para o relógio e perceber que existem três lugares onde você gostaria de estar ao mesmo tempo.

É ficar rouco.

É sentir os pés doerem.

É tomar chuva.

É entrar em um mosh pit.

É cantar uma música que você esperou anos para ouvir ao vivo.

E, no meio de toda essa loucura, parar por alguns segundos e pensar:

“Eu realmente estou aqui.”

Foi assim que o segundo dia do Rock in Rio 2026 aconteceu para nós.

Tivemos a oportunidade de entrevistar Black Pantera, Day Limns e Malvada. Tivemos shows que nossa equipe esperava há muito tempo, como Bring Me The Horizon, Bad Omens, mgk e Avenged Sevenfold. Vimos o Sepultura escrever mais um capítulo de sua história no festival. Vimos Nervosa e Black Pantera transformarem o Sunset em um espaço de força e resistência. Vimos Poppy criar seu próprio universo no meio da Cidade do Rock.

E vimos milhares de pessoas simplesmente vivendo.

Vivendo a música.

Vivendo o momento.

Vivendo o rock.

No fim, talvez seja isso que um festival como o Rock in Rio faz de melhor: transforma algumas horas em memórias que ficam muito maiores do que elas mesmas.

O sábado terminou.

Mas ainda parece que dá para ouvir as guitarras.

A voz ainda está tentando voltar.

O corpo ainda está cansado.

E, sinceramente?

Que bom.

Porque se existe uma coisa que o segundo dia do Rock in Rio 2026 deixou claro, é que o rock está muito vivo.

E nós ainda temos muito mais para contar.

 

Texto: Giovana S. Ferreira.

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