Late Again transforma contradições da vida cotidiana em seis faixas de dream pop no EP ‘I Dreamt I Was Awake’

Published by

on

O EP de estreia do projeto de Rafael Melo reúne seis faixas sobre a distância entre a vida imaginada e a vida vivida

Late Again, projeto de dream pop do artista multimídia brasileiro radicado no Brooklyn Rafael Melo, lança I Dreamt I Was Awake. Com seis faixas, o EP parte de uma questão central: a distância entre a vida que imaginamos e aquela que efetivamente vivemos — e as formas, muitas vezes contraditórias, que encontramos para conviver com essa diferença.

“Com canções autoconscientes, às vezes engraçadas e sempre subtilmente críticas, a obra flutua entre a ternura e a ironia, o minimalismo e o caos, e o hiper-pessoal e o universal”, explica Late Again“Este meu quarto EP de estúdio começa a mostrar um fio condutor que une os meus trabalhos anteriores, ao mesmo tempo que torna mais evidente uma mudança de confiança. Eu decidi duplicar a aposta no meu estilo de escrita único a cada nova faixa. Ao juntar texturas de dream pop, batidas alternativas, melodias do meu Brasil natal e letras cínicas mas amigáveis, criei um espaço onde a lucidez e a auto-ilusão coexistem. É uma coleção de canções que considero sonicamente nostálgicas e acolhedoras, sem perderem uma margem sutil, suave mas exigente”.

As seis faixas de I Dreamt I Was Awake percorrem diferentes situações e contradições do cotidiano: “To Stop the Time” fala sobre o afastamento entre duas pessoas e a dificuldade de aceitar que já não cabem na vida uma da outra; “If You Have A Bridge (I’m Buying)” transforma Nova York em ponto de partida para uma reflexão sobre sonhos, imigração e pertencimento; “Crazy or Stupid” observa o comportamento das pessoas com humor e ironia; “My Sore Throat” acompanha um personagem diante de um mundo caótico enquanto lida com seu próprio descontrole; “All My Exes Moved to the Countryside” parte de uma experiência pessoal para falar sobre a dificuldade de trocar a cidade por uma vida mais simples; e “Every Time I Take Sudafed” encerra o EP com uma narrativa em fluxo de consciência sobre reencontro, cinismo compartilhado e vulnerabilidade.

I Dreamt I Was Awake reúne, assim, seis perspectivas sobre relações, cidade, escolhas, ansiedade, desejo e as contradições da vida cotidiana. Em vez de buscar respostas definitivas, Late Again observa essas situações de perto, usando humor e auto ironia para transformar experiências particulares em histórias abertas à identificação.

O EP foi gravado entre o Studio G, no Brooklyn, e o Evil Twin, em São Paulo. O trabalho conta com bateria de Thiago Dom (Kimbra, Duda Beat), linhas de baixo de John Lisi (Twin Brother, John Roseboro), engenharia de Nelson Espinal (Mdou Moctar, YHWH Nailgun, Sessa) e mixagem de Heal Mura, colaborador musical de longa data de Rafael no Brasil. Os visuais são assinados por Gabriel Rolim (Rollinos).

I Dreamt I Was Awake funciona como prelúdio para o álbum de estreia de Late Again, previsto para 2027.

OUÇA I DREAMT I WAS AWAKELink
ASSISTA “TO STOP THE TIME”: Link 

FAIXA A FAIXA POR LATE AGAIN

01. To Stop The Time
“Last night I dreamt I swept my apartment clean. I woke up and had to do it all over again.” As primeiras letras do EP definem o tom para tudo o que se segue: um choque entre os sonhos e a realidade, e todas as contradições irritantes que vêm com isso. “To Stop the Time” é uma canção indie crua, com muito groove e meditativa, sobre duas pessoas que se afastam e já não cabem no mundo uma da outra — mesmo quando, numa versão ideal das coisas, tudo faria sentido.

02. If You Have a Bridge (I’m Buying)
Esta é a minha versão de uma ode à cidade de Nova Iorque — uma viagem psicadélica, ritmada e melódica através dos olhos de um imigrante que encontrou ali o que de mais próximo tem de um lar. É uma música sobre acreditar conscientemente em utopias e encontrar a felicidade nessa escolha, mesmo quando, num lugar como este, “everyone you know is broke or blue” (toda a gente que conheces está falida ou triste), como diz a letra. O videoclipe desta música foi produzido em colaboração com o artista visual Gabriel Rollinos (Tame Impala, Toro Y Moi, Metronomy). Ele acompanha uma viagem de bicicleta surrealista pelos cinco distritos de Nova Iorque — pedalamos mais de 160 quilómetros para a capturar.

03. Crazy or Stupid
“Everybody is crazy, or stupid, or crazy and stupid.” Em “Crazy or Stupid”, transformei um comentário social de observação numa balada divertida que não se leva demasiado a sério. Por trás da ironia e de um elenco peculiar de personagens (o Fred, o Brad, o Jed e o Greg), a canção toca numa realidade sombria que se torna mais fácil de engolir graças a uma energia suave de verão e à melodia mais contagiante do EP.

04. My Sore Throat
“My Sore Throat” baseia-se na narrativa observacional da música anterior, mas aprofunda-a com os primeiros versos em spoken word (palavra falada) do EP. É uma canção sobre ver um mundo caótico desenrolar-se a partir da perspetiva de alguém com PHDA (Perturbação por Défice de Atenção com Hiperatividade) — um espectador “impotente mas hiperativo”. A melodia ritmada e frenética, cheia de transições inesperadas, é o retrato sonoro de um cérebro com PHDA num pico maníaco, fazendo malabarismos entre um mundo exterior em ruínas e um colapso interno simultâneo, como uma pequena constipação que sai lentamente do controle.

05. All My Exes Moved To The Countryside
É exatamente o que o título diz. Este é um facto real e muito específico da minha vida que, ainda assim, consegue parecer universal, mesmo para quem tem as ex-namoradas a viver na cidade. Retomando o ponto onde “To Stop the Time” parou, a canção combina uma melodia minimalista e palavras engraçadas com acordes bucólicos de bossa nova do meu Brasil natal para digerir uma tensão silenciosa: a minha incapacidade de me render a uma vida mais simples, mesmo quando uma grande parte de mim gostava de o conseguir fazer.

06. Every Time I Take Sudafed
“Every Time I Take Sudafed” é uma narrativa em formato de conversa interna (jouska) absurdamente longa, que escrevi num momento em que fiquei um pouco maníaco por causa de anti-histamínicos. É um desabafo em fluxo de consciência entre duas pessoas que já não se veem há algum tempo e entre as quais aconteceram universos inteiros. Com um ritmo intenso e o regresso de versos rápidos em spoken word, esta é a entrada mais expansiva do EP e parte do material mais sinceramente escrito por mim até hoje. É uma música sobre aquele tipo particular de ligação que nasce do cinismo partilhado e que leva a uma vulnerabilidade acidental e genuína que, no fundo, é tudo o que procuro alcançar com o meu trabalho.

Videoclipe de “If You Have a Bridge (I’m Buying)”: Link
Lyric video de “Crazy or Stupid”: Link
Lyric video de “All My Exes Moved To The Countryside”: Link

Descubra mais sobre Concerts in Brazil

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo