O segundo dia do Lollapalooza 2026 foi aquele tipo de dia que você não vive só pelos shows — você vive pelo conjunto.

Pelo caminho até o palco, pela escolha difícil de quem ver, pelo som que você escuta de longe e te faz mudar de rota sem nem perceber.

Interlagos virou um mundo.

E, de alguma forma, parecia que todo mundo tinha vindo parar ali.

Gente de todos os lugares, estilos completamente diferentes dividindo o mesmo espaço, e uma sensação muito clara de que o Lolla não é mais só um festival — é um ponto de encontro. Um lugar onde você descobre música nova, reencontra artistas que ama e, no meio disso tudo, se encontra também.

O line-up ajudou — e muito.

Era aquele tipo de dia que você podia sair de um show e entrar em outro completamente diferente, sem perder o ritmo. Pop, rock, eletrônico, hip hop, k-pop… tudo acontecendo ao mesmo tempo, tudo funcionando.

E talvez seja isso que faz o segundo dia ser tão especial: ele te obriga a sentir tudo.

A estreia da Chappell Roan no Brasil, por exemplo, não foi só um show. Foi um momento.

Desde cedo, dava pra ver que tinha algo diferente acontecendo. Os looks, a expectativa, a galera na grade… e quando ela entrou no palco, fez sentido. Foi grande, foi performático, foi cheio de identidade — e, ao mesmo tempo, extremamente próximo.

Parecia que todo mundo ali entendia exatamente o que aquele show significava.

E esse tipo de conexão é raro.

Em outro momento, Marina trouxe um contraste bonito. Um show mais conceitual, mais teatral, que não depende só de explosão, mas de construção. Daqueles que você assiste prestando atenção nos detalhes, na estética, na intenção.

Já o RIIZE foi aquele lembrete de como o k-pop sabe fazer espetáculo.

Coreografia impecável, presença de palco absurda e um carinho com o público que é impossível ignorar. Quando rola um português ali no meio, então… já era. O público entrega tudo de volta.

Mas o Lolla também é sobre essa mistura que, no papel, nem sempre faz sentido — e ao vivo funciona perfeitamente.

Você podia sair de um show mais emocional e cair direto no peso do Cypress Hill, com uma energia completamente diferente, e ainda assim sentir que tudo faz parte da mesma experiência.

E quando a noite caiu, Skrillex fez o que sabe fazer melhor: transformou tudo em intensidade.

Luz, fogo, batida, gente pulando… aquele momento em que o festival deixa de ser um conjunto de shows e vira uma coisa só.

Uma energia coletiva difícil de explicar, mas muito fácil de sentir.

E no meio disso tudo, o público continua sendo uma das melhores partes.

Os looks pensados, os grupos que vieram de longe, as histórias que você escuta sem nem querer… tudo contribui pra essa sensação de que o Lolla é, acima de tudo, sobre viver junto.

O segundo dia não foi só sobre diversidade de gêneros.

Foi sobre intensidade.

Sobre se permitir ir de um extremo ao outro e ainda querer mais.

E, principalmente, sobre aquela sensação que só festival grande consegue dar: a de que você está exatamente onde deveria estar.

Texto: Giovana S. Ferreira

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