O Lollapalooza Brasil 2026 começou com uma energia diferente — menos caótica do que o imaginado, mas ainda carregada daquela expectativa que só o primeiro dia de festival consegue sustentar.

Em Interlagos, o clima era de equilíbrio. A lama, temida por muitos depois do dia anterior, apareceu — mas de forma quase tímida, sem roubar a cena. O público conseguiu circular, aproveitar e, principalmente, viver o festival sem grandes obstáculos. E talvez isso tenha feito toda a diferença.

Desde cedo, o Autódromo foi sendo preenchido aos poucos, com aquela construção silenciosa de expectativa. Looks pensados, encontros marcados, primeiras fotos, primeiros copos erguidos. O primeiro dia do Lolla sempre tem esse ar de início de jornada — como se todo mundo estivesse, ao mesmo tempo, se situando e já se deixando levar.

A programação da sexta-feira seguiu esse mesmo ritmo. Um line-up que não precisava provar nada, mas que soube conduzir o público por diferentes atmosferas ao longo do dia. Houve espaço para momentos mais leves, quase contemplativos, e também para aqueles que já antecipavam a intensidade da noite.

O Men I Trust trouxe delicadeza e uma pausa quase necessária no meio da correria do festival, enquanto o Interpol mergulhou o público em uma nostalgia densa, criando uma conexão mais introspectiva com quem acompanhava cada música.

Com o cair da noite, a energia começou a mudar — não de forma abrupta, mas como uma transição natural.

Doechii assumiu o palco com presença e segurança, entregando um show que prendeu a atenção do início ao fim. Foi o tipo de apresentação que cresce junto com o público, construindo uma troca real ali, ao vivo.

Logo depois, o Deftones trouxe intensidade. Um show que não depende de excessos visuais para impactar, mas sim de atmosfera. Aquelas apresentações que envolvem, que puxam o público para dentro e fazem tudo ao redor parecer um pouco mais distante.

E então veio o fechamento perfeito para o primeiro dia.

Sabrina Carpenter subiu ao palco com domínio total do momento. Carismática, segura e completamente conectada com o público, ela transformou o espaço em um grande coro coletivo. Era impossível não cantar junto, não sorrir, não se deixar levar pela energia que tomava conta de Interlagos naquele instante.

O primeiro dia do Lollapalooza 2026 terminou sem excessos, sem caos — mas com algo talvez ainda mais valioso: a sensação de que tudo fluiu exatamente como deveria.

E, às vezes, é isso que faz um começo ser tão especial.

Texto: Giovana S. Ferreira.

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